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O QUE É O BMB? |
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O Betume modificado com borracha reciclada de pneus (BMB), cujo processo de fabrico está definido pela norma Americana ASTM D 6114, é um betume modificado que incorpora, no mínimo, cerca de 20 ±2% de granulado de borracha sobre o peso total do ligante. |
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QUANDO É QUE O BMB FOI INVENTADO? |
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Engenheiros e Químicos tentaram incorporar borracha no asfalto desde 1920. Contudo, a maioria das tentativas foram sem sucesso. Em 1960, Charles McDonald, um ex-colaborador da Federal Bureau of Highways (agora FHWA) nos Estados Unidos, e mais tarde, Engenheiro Supervisor de Secção de Testes de Materiais para a cidade de Phoenix, Arizona, do mesmo país, desenvolveu a primeira fórmula de sucesso tempo/temperatura para a incorporação de resíduo de pneu na pavimentação de estradas. Este processo é frequentemente referenciado com o processo McDonald, processo Arizona ou processo realizado pela via húmida. |
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COMO E ONDE SE FABRICA O BMB? |
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A modificação do betume, é feita junto das centrais para o fabrico de misturas betuminosas, com equipamento adequado para o efeito, e que deverá ser constituído essencialmente por um tanque misturador e tanques de reacção em número adequado à produção da central betuminosa. |
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QUAIS SÃO AS VANTAGENS DA INTRODUÇÃO DE GRANDES PERCENTAGENS DE GRANULADO DE BORRACHA NO BETUME? |
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A introdução do granulado de borracha no betume quente, faz com que a borracha reaja, e, ao mesmo tempo, absorva e fixe os maltenos que constituem uma das fracções voláteis e aromáticas do betume. A fixação deste constituinte do betume, permite obter um significativo aumento na resistência ao envelhecimento nas misturas betuminosas com BMB, comparativamente às misturas betuminosas convencionais, onde os maltenos se perdem no tempo por acção dos raios UV. Este facto permite obter uma melhoria considerável das propriedades do Betume e da mistura betuminosa no tempo, ou seja, uma maior durabilidade do pavimento. Por outro lado, a introdução do granulado de borracha no betume permite obter um ligante com 15 a 20 vezes mais viscosidade do que um betume modificado convencional. Este nível de viscosidade permite a incorporação de grandes quantidades de BMB nas misturas betuminosas sem que seja posto em causa a resistência das misturas às deformações permanentes. Colocando grandes percentagens de ligante nas misturas betuminosas, da ordem dos 9 a 10%, obtêm-se performances assinaláveis na misturas tais como, elevada resistência à fadiga, elevada resistência à propagação de fendas, etc. |
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O BMB É MAIS CARO DO QUE UM BETUME CONVENCIONAL? |
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O custo de uma solução de pavimentação com BMB® é menor do que uma solução com betume convencional. De facto, atendendo às propriedades físicas do BMB® e das misturas betuminosas com este ligante, nomeadamente a grande resistência à fadiga (10 vezes superior que uma mistura convencional) e a elevada resistência à propagação de fissuras, a espessura utilizada neste tipo de misturas chega a ser cerca de metade da espessura utilizada nas misturas convencionais. O uso deste tipo de misturas permite eliminar alguns trabalhos prévios existentes nos projectos tradicionais, tais como, a fresagem das zonas em ruína por fadiga e a selagem de fissuras. No caso da utilização das misturas com BMB® sobre pavimentos tratados com ligantes hidráulicos (solo cimento, reciclagem in situ com cimento, lajes de betão, betão armado em contínuo, etc.) a economia em relação às soluções tradicionais é por demais evidente uma vez que se chega a reduções de espessura da ordem dos 60% sem que seja necessário colocar nenhum sistema específico para retardar a propagação das fissuras. Em resumo, o custo por m2 de mistura betuminosa é, geralmente, menor do que o de uma mistura betuminosa convencional. A questão do preço é uma falácia explorada pelos interesses instalados, os quais confundem o mercado, referindo o preço por tonelada em vez do preço por metro quadrado - o que realmente impacta no custo da obra. Isto é as misturas betuminosas, modificadas com borracha, por serem mais resistente, exigem menor espessura e como tal menor quantidade aplicada. |
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QUANTOS PNEUS RECICLADOS SÃO USADOS NUMA ESTRADA? |
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Quando se utiliza uma mistura betuminosa com BMB são reutilizados/valorizados cerca de 3 pneus por tonelada de misturas betuminosa o que corresponde, em média, a cerca de 4.000 pneus por quilómetro (para uma estrada com uma largura de 12 m e uma espessura de mistura betuminosa com BMB de 4 cm). |
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A REUTILIZAÇÃO DO GRANULADO DE BORRACHA PROVENIENTE DOS PNEUS USADOS TRAZ ALGUMA MAIS VALIA TÉCNICA PARA O BMB? |
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Nos países mais industrializados, como é o caso dos EUA, a utilização de pneus no caso específico da pavimentação de estradas, tem sido desde há 40 anos atrás, motivo de grandes estudos e de várias experiências. Desde dessa altura, verificou-se que a introdução da borracha reciclada de pneus, seria uma via possível para a eliminação do resíduo pneu, e que, mais importante, permitia modificar as propriedades básicas dos betumes tornando-os mais elásticos, e consequentemente, evitar o aparecimento de fissuras à superfície dos pavimentos. Paralelamente, chegaram à conclusão que os custos com a conservação dos pavimentos, são significativamente menores, quando comparados com as soluções tradicionais de pavimentação. |
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EM PORTUGAL EXISTEM ESTUDOS SOBRE O BMB? |
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Em Portugal a utilização do BMB, tem sido acompanhada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que emitiu um parecer técnico favorável, registado num Documento de Aplicação (DA3), relativamente à sua utilização em camadas de pavimentos rodoviários e aeroportuários, e pelas Universidades do Minho e de Coimbra, tendo estas instituições elaborado relatórios sobre as propriedades do produto e sobre o acompanhamento das obras já realizadas, quer para a Recipav, quer para os diversos clientes, nomeadamente a Estradas de Portugal (EP), a Brisa, as Auto Estradas do Atlântico, Lusoscut e diversas Câmaras Municipais. A Recipav tem ainda contado com o apoio da Universidade de Madrid para a realização de alguns ensaios específicos. |
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QUE TIPOS DE MISTURAS BETUMINOSAS E QUE PERCENTAGENS DE BMB SÃO NORMALMENTE UTILIZADAS? |
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Até à data, em Portugal, têm sido usados dois tipos de misturas betuminosas, ambas descontínuas, sendo uma delas rugosa, com porosidades entre 4,5 e 6%, e a outra, aberta com porosidades entre 10 e 17%. A primeira incorpora no mínimo 8% de BMB, enquanto que na segunda esse valor pode chegar aos 10,5%. |
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QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS APLICAÇÕES? |
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A utilização de misturas betuminosas com BMB, estão muito direccionadas para aplicações em construção nova, ou reabilitação de pavimentos, em caminhos municipais, estradas e auto-estradas, quer em camadas de desgaste quer em camadas inferiores. Na reabilitação de pavimentos, o seu uso preferencial será em situações de envelhecimento precoce do pavimento por um elevado estado de fadiga (fissuração), ou de forma a melhorar as características superficiais dos mesmos em termos de atrito e/ou ruído de circulação. É importante realçar a melhoria significativa do atrito do pavimento, já testada em Portugal, e que apresenta valores 25% superiores quando se compara uma camada de desgaste convencional e uma camada de desgaste com BMB. Em relação ao ruído de circulação, pode-se referir que segundo testes efectuados nos EUA, poderão conseguir-se reduções de ruído no contacto pneu/pavimento, da ordem dos 4 a 8 dBA em misturas betuminosas com BMB. Ainda na reabilitação de pavimentos, a utilização de misturas betuminosas com BMB, aparece muitas vezes relacionada com Reciclagem in-situ com cimento dos pavimentos existentes, e em elevado estado de ruína. Esta solução, ou combinação de soluções, permite por um lado, o aproveitamento e a valorização da estrada em estado de ruína através da reciclagem com cimento, e por outro a aplicação de camadas delgadas de misturas betuminosas com incorporação de borracha reciclada de pneus, que garante a funcionalidade da estrada no tempo. |
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QUE VANTAGENS IMPORTANTES DECORREM DO USO DO BMB? |
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A utilização de misturas betuminosas com BMB em pavimentos tem diversas vantagens, tais como: - Elevada resistência à propagação de fendas; - Elevada flexibilidade dos pavimentos; - Redução dos custos de manutenção dos pavimentos; - Aumento do atrito no contacto pneu/pavimento; - Redução do ruído de circulação; - Reciclagem, Redução e Reutilização do resíduo pneu. |
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RELATIVAMENTE À PROBLEMÁTICA DO APARECIMENTO DE FENDAS, COMO É O COMPORTAMENTO? |
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Os ensaios de fadiga executados em Portugal confirmaram os resultados obtidos nos EUA, e apontam para uma resistência à fadiga 10 vezes superior à de uma mistura betuminosa convencional. Este facto, permite, em termos conservadores, uma redução na espessura das misturas betuminosas com BMB de 50% face a uma mistura betuminosa convencional, o que de alguma forma, equipara os custos de construção deste tipo de misturas com as misturas convencionais. Apesar desta redução de espessura, os estudos realizados apontam para uma redução de 60% dos custos de conservação deste tipo de pavimentos, quando comparados com pavimentos executados com misturas betuminosas convencionais. |
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QUAL IMPACTO ESPERADO NOS NÍVEIS DE RUÍDO QUANDO SE UTILIZA A MISTURA BETUMINOSA ABERTA COM BMB? |
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Nos estudos efectuados para o efeito nos EUA e em Portugal, é de admitir uma redução do ruído de contacto pneu/pavimento de 6 a 8 dBA quando se utiliza a mistura betuminosa aberta com BMB. Para se poder compreender o que representa uma redução desta ordem, pode-se afirmar que, para se obter uma redução do ruído de circulação de 3 dBA, teria que se reduzir em 50% o tráfego de uma dada estrada. Num estudo efectuado pela empresa Auto-estradas do Atlântico, foi registado num caso, uma redução de ruído de 6 dBA quando comparado com uma mistura rugosa convencional e uma redução de ruído de 9 dBA quando comparado com um pavimento em betão. Estes estudos foram efectuados na A8 entre o nó de Torres Vedras Sul e o nó de Torres Vedras Norte. De acordo com especialistas na matéria, a poluição sonora constitui um dos maiores problemas ambientais sentidos pelas pessoas. Hoje em dia, estima-se que mais de 40% da população Europeia, está sujeita a um nível de ruído provocado pelo tráfego rodoviário, superior a 55 dBA, e 20% a níveis superiores a 65 dBA. Durante a noite 30% da população estará exposta a níveis que excedem os aconselhados 55 dBA. Como forma de minimizar os impactes ambientais resultantes do ruído, é habitual recorrer-se à utilização das barreiras acústicas e eventualmente à insonorização das janelas dos edifícios. A experiência Americana revela que, actuando ao nível do pavimento com a colocação de misturas betuminosas com BMB, pode eliminar-se, em algumas situações, a colocação das barreiras acústicas. |
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QUAL É A EXPERIÊNCIA DA UTILIZAÇÃO DO BMB EM PORTUGAL? |
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A Recipav iniciou a sua actividade, em Portugal, em 1999, tendo sido fornecido até à data cerca de 30.600 ton (2007) de BMB o que corresponde a cerca de 348.000 ton de misturas betuminosas e a cerca de 360 km de estradas pavimentadas com a reutilização de 1.200.000 pneus.
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QUAL TEM SIDO A ACEITAÇÃO DO BMB A NÍVEL EUROPEU? |
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A Recipav iniciou em 2000 a sua internacionalização através de Espanha, Alemanha e Áustria. A receptividade tem sido bastante boa tendo na maioria dos casos existindo, ano após ano, trabalhos sucessivos nesses países. Actualmente a Recipav tem uma parceria com uma empresa Espanhola para o mercado ibérico.
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O produto BMB é certificado? |
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Sim, o BMB com betume 50/70 é certificado pela Norma ASTM D 6114 – 97 (Reapproved 2002). A empresa encontra-se certificada pela APCER, pela norma ISO 9001:2000 e NP 4397:2001 / OHSAS 18001:1999.
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QUE LEGISLAÇÃO EXISTE SOBRE A APLICAÇÃO DO PRODUTO BMB EM PORTUGAL? |
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Foi publicado em Diário da Republica, 2ª Série – Nº.44 – 2 de Março de 2007, com o Nº 4015/2007, um Despacho Conjunto dos Ministérios do Ambiente e das Obras Publicas sobre a utilização de Betume Modificados com Borracha, em infra-estruturas rodoviárias. Poderá visualizá-lo aqui.
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